WALL-E eu assisti.. comente.

Em um futuro pós-apocalíptico, os humanos destruiram a terra e não existem mais. Os protagonistas são os Wall-E, robôs desenhados para limpar o lixo deixado na superfície da Terra. Essas máquinas, no entanto, não deram conta da tarefa e começaram a pifar lentamente, até que apenas um robô restou. É ele o protagonista, Wall•E. O nome é na verdade a sigla para Waste Allocation Load Lifters – Earth (“Levantadores de Cargas Desnecessárias da Terra”). Todos os dias, ele executa sua rotina de catar o lixo que encontra pela frente a fim de cumprir a (impossível) tarefa de juntar todo o lixo que existe no planeta. A única ajuda que ele recebe é a de Spot, sua barata de estimação.

Com uma das animações mais fotorrealistas já vistas até hoje, em tons de ocre e ferrugem, os minutos iniciais do filme nos apresentam a um cenário de melancolia e desolação total, com o planeta Terra transformado em um imenso lixão completamente desabitado…

Ou melhor, quase: circulando pelos amontoados de ferro-velho está Wall.E (sigla para Waste Allocation Load Lifter Earth Class, ou em português, Empilhadeira de Lixo de Uso Terrestre) e uma baratinha, fiel companheira em sua rotina diária de recolher e compactar o lixo e, eventualmente, guardar para si objetos que possam lhe vir a ser úteis no futuro – como uma fita de videocassete do musical de 1969 “Hello, Dolly”, estrelado por Barbra Streisand e Walter Matthau, que o solitário Wall-E revê todo santo dia quando volta para casa.

Divulgação/Divulgação

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Eva e Wall.E em cena da nova animação da Pixar/Disney (Foto: Divulgação)

Até que surge Eva, não exatamente da costela de Adão mas de uma nave espacial imensa que pousa na Terra a poucos metros de Wall.E. Eva é uma robozinha branca de última geração, de design elegante, impossível de não se apaixonar (qualquer semelhança com o iPod, produzido pela mesma Apple, companhia-irmã da Pixar, não é mera coincidência). Sua missão é encontrar novos sinais de vida na Terra para que os humanos, que há cerca de 700 anos abandonaram o planeta para viver em uma estação espacial climatizada cheios de mordomias, possam retornar a seu habitat.

Mais do que sugestivo, o contraste entre esses dois mundos também divide o filme em dois: de um lado, o panorama inóspito, empoeirado, pós-apocalíptico, de ficção científica (será?) onde vivem Wall-E e a baratinha; do outro, um universo colorido e caricato (será?), com os humanos mais obesos e consumistas do que nunca, circulando em suas esteiras flutuantes, completamente alienados não só da realidade lá fora, isto é, no planeta Terra, mas também do contato com seus próprios vizinhos, com quem se relacionam apenas através de monitores holográficos prostrados a meio palmo diante de seus olhos.

É sintomático, também, que a nave que os abrigue se chame Axioma, termo matemático usado para se referir aos chamados conceitos auto-evidentes, que não necessitam de comprovação científica para serem assumidos como verdades. Pensar por conta própria é um esforço que, há séculos, os humanos de “Wall.E” deixaram que as máquinas fizessem por eles. O mais surpreendente, no entanto, é que algo tão essencialmente humano quanto o afeto tenha de ser reensinado a eles por um robô tão fora de moda quanto Wall.E com sua bizarra fixação por tocar as mãos de Eva, sua alma gêmea. Tsc, tsc, tsc. Só mesmo a Pixar para fazer a gente acreditar “nisso”.
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Publicado em: on 5 05UTC Agosto 05UTC 2008 at 7:45 am Deixe um comentário
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